Nossa Historia

AMERICANA E SUA HISTÓRIA


AMERICANA E SUA HISTÓRIA
PESQUISA E TEXTO:
MARIA JOSÉ FERREIRA DE ARAUJO RIBEIRO
MELQUESEDEC FERREIRA

A SESMARIA DO SALTO GRANDE

            Os primeiros registros sobre a ocupação do território de Americana datam do final do século XVIII e fazem menção a Antonio Machado de Campos,Antonio de Sampaio Ferraz, Francisco de São Paio e André de Santos Furquim, que se estabeleceram nas terras de Salto Grande, cultivaram a cultura da cana de açúcar e fabricaram açúcar e aguardente.
            Referindo-se a Antônio Machado de Campos, o autor Jolumá Brito diz “seu engenho era chamado de Quilombo e o Quilombo ficava mais ou menos na paragem da futura Americana”, foi lugar onde nasceu hoje a cidade de Sumaré.
            Como se sabe, as Sesmarias eram parcelas de terras doadas pela coroa Portuguesa a pessoas que se estabeleciam em uma determinada localidade.
            A regulamentação da propriedade era assegurada pelo tempo de moradia no local, casamento com filhas dos antigos povoadores, execução de benfeitorias tais como: cultivo de lavouras, construção de engenhos, casas, estradas e a defesa do local contra inimigos do governo português.
            Existe referência à outra Sesmaria que pertencera a Domingos da Costa Machado, casado com a primogênita de Barreto Leme (fundador de Campinas) D. Maria Barbosa do Rego. Esta Sesmaria ficava localizada entre os rios Atibaia e Jaguari, o Salto Grande e fora obtida pela carta de doação de Sesmaria, de 02/04/1799. Corresponde portanto esta área à Fazenda Salto Grande.

A FAZENDA SALTO GRANDE


            Após a aquisição da fazenda por Manoel Teixeira Vilela, de Domingos da Costa Machado, iniciou-se a construção da casa sede a partir de 1800, por escravos da fazenda. Como Manoel era de origem mineira o prédio teve sua construção com características arquitetônicas típicas de sua região, ou seja, a residência do proprietário na parte superior e a senzala no piso térreo. Edificado em taipa de mão e pilão,o solar Vilela teve sua estrutura principal e alicerce toda feita em madeira de lei. Durante o período de Manoel a principal atividade da fazenda era o cultivo da cana-de-açúcar. Suas paredes tem quase um metro de espessura, com 15 metros de comprimento e conta com 36 cômodos.
            A parte da Fazenda Salto Grande que incluía a sede foi adquirida pelo Major Francisco de Campos Andrade em 1870. Este, dedicando-se à cultura do café, trouxe para sua propriedade em 1887 as primeiras famílias italianas, para trabalharem na Fazenda Salto Grande. São 28 famílias lideradas por Joaquim Boer.
            A existência de um templo católico torna-se uma necessidade ainda maior dos imigrantes italianos que constroem a primeira capela nas terras da Fazenda por volta de 1890. Essa capela encontra-se preservada na área de recreação da indústria Santista.
Capela Fazenda Salto Grande

            Essas famílias italianas, depois de alguns anos de trabalho na fazenda, receberam glebas de terras em pagamento por seus serviços. Isto se sucedeu pelo fato do proprietário Francisco de Campos estar endividado devido a gastos de seu filho em atividades da política. Esta mini reforma agrária efetivada em 1899, nas terras da antiga Fazenda Salto Grande vai propiciar a formação de inúmeros sítios entre os quais o sítio ertine,Meneghel, Irmãos Cia, Faé, Boer, Santa Rosa, etc.
            A sede é o atual Museu Histórico e Pedagógico “Dr. João da Silva Carrão” conhecido entre nós como o Casarão do Salto Grande.
            Sua localização estratégica junto a Rodovia Anhanguera propicia fácil acesso às pessoas interessadas em conhecer o patrimônio arquitetônico regional.
            Outra referência às Sesmarias que deram origem a Americana podem ser encontradas em fatos como o registro de que os combatentes da Revolução Liberal de 1842, que ficou conhecido como “Combate da Venda Grande” teriam se refugiado na Fazenda Palmeiras.
A Fazenda Palmeiras teve seu primeiro dono em 1877, Feliciano Leite da Cunha. Seu território tinha aproximadamente 300 alqueires e ficava na divisa com o município de Nova Odessa.
           Um dos revoltosos da Revolução Liberal, Domingos da Costa Machado, filho do primeiro Domingos, adquiriu em 11/06/45, de Manoel Alves Machado, uma propriedade que distava 38 km de Campinas e que passaria a ser conhecida como Fazenda Machadinho.

A FAZENDA MACHADINHO E A FUNDAÇÃO DE AMERICANA


            A sede da Fazenda Machadinho situava-se onde hoje se localiza a praça Basílio Rangel. Em 1866 algumas áreas da Fazenda Machadinho foram adquiridas por Antonio Bueno Rangel e pelo Coronel Willian Hutchinson Norris, o primeiro norte americano a se estabelecer na região.
            Alguns anos mais tarde com a construção da estrada de ferro Cia Paulista, o filho de Antonio Bueno Rangel – Basílio Bueno Rangel vendeu ao seu amigo, Capitão Ignácio Correa Pacheco, uma gleba de terra nas imediações da sede da Fazenda Machadinho. Ignácio Correa Pacheco iniciou então loteamento, visando atender a reivindicação de comerciantes desejosos de se estabelecerem no local. Mais tarde o próprio Basílio Bueno Rangel amplia este loteamento.
            Neste período muitos imigrantes provenientes de Portugal e Espanha se fixam no incipiente povoado.                      Queremos citar aqui algumas colocações feitas pelo historiador Abílio Serra Bryan. Este considera como critério para atribuir a uma pessoa o mérito de fundador de uma cidade, o fato “desta pessoa ter realizado um esforço prático para o aparecimento de um núcleo populacional”.
            Considera-se portanto Ignácio Corrêa Pacheco e Basílio Bueno Rangel como os fundadores do núcleo populacional que nascera em torno da Estação de Santa Bárbara e posteriormente passaria a ser chamado de Villa Americana e hoje simplesmente Americana.

A CULTURA DO ALGODÃO E A IMIGRAÇÃO AMERICANA


            No início da Fazenda Salto Grande a cultura da cana-de-açúcar era a principal lavoura. A expansão da cultura do café pelo interior do Estado de São Paulo a partir de 1850 caracterizou-se também como monocultura. Na década de 1860–1870, difundiu-se bastante a cultura do algodão no Estado de São Paulo em decorrência dos altos preços dessa matéria-prima no mercado internacional. Este aumento de preços devia-se a interrupção do fornecimento do algodão das principais áreas produtoras do Sul dos Estados Unidos, devido a Guerra da Secessão.
            A Guerra da Secessão (1861/1865) teve esse nome devido à separação dos Estados do Sul dos Estados Unidos que passaram a constituir um outro país, os Estados Confederados. Entretanto o sul é derrotado e muitos de seus habitantes, descontentes com as medidas da chamada reconstrução, resolvem imigrar para o Brasil.


 A CONTRIBUIÇÃO DOS NORTE AMERICANOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO.

             Para cá afluíram muitas famílias a partir de 1866, as quais com presteza passaram a cultivar essas terras com o algodão. Entre estas famílias destacam-se os: Whitaker, Hall, Macknight, Daniel, Steagall, Jones, Ferguson. Destacou-se como pioneiro da imigração o Coronel Willian Hutchinson Norris que fora senador pelo Estado de Alabama e figura das mais ilustres entre os Confederados.
            O Coronel Norris adquiriu em fevereiro de 1866 terras da Fazenda Machadinho e sem demora, auxiliado por seu filho Robert, iniciou a plantação do algodão.

            Nesse mesmo período deixou ao filho os encargos de sua propriedade passa a ministrar cursos de agricultura na Fazenda Ibicaba,em Limeira – SP. O proprietário desta, José Vergueiro, destacou-se como o maior produtor de algodão do país.
            As terras de Santa Bárbara devido à expansão da cultura do algodão e a maior produtividade desta com novas técnicas valorizaram-se bastante, em apenas três anos. A localidade é elevada à categoria de Villa em 1869, devido à rápida expansão agrícola.
           O ano 1868 foi o de maior afluência de famílias americanas.
          Antes da instalação da Cia. Paulista, o trajeto de Jundiaí à Campinas era feito a cavalo ou em morosos carros de boi. Exemplo das dificuldades dessa viagem é o relato da experiência da família Smith, que tinha vindo com os americanos que se radicaram em Xiririca (hoje Eldorado Paulista) no litoral Sul de São Paulo.Após algum tempo de permanência naquele local tiveram notícia de Santa Bárbara e se deslocaram até Santos, de lá para Jundiaí por trem e de lá para Campinas em carros de boi.
            A contribuição dos imigrantes norte americanos se fez sentir também na criação de escolas em Piracicaba e Campinas, as quais se tornaram modelares estabelecimentos de ensino, exemplo: Colégio Piracicabano e o Colégio Internacional de Campinas. Muitos trabalhavam como administradores de fazenda na região, um deles Green Ferguson foi administrador da Fazenda de Luiz de Queiroz, que mais tarde se transformaria na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.
            A primeira fábrica de arados na Villa de Santa Bárbara foi estabelecida por um integrante do grupo de americanos, se bem que alemão de nascimento, o Sr. John Donn.
Inúmeros descendentes de americanos dedicavam-se a profissões liberais nas Villas de Santa Bárbara, Americana e também Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Foram afamados dentistas vários integrantes da família Macknight.
            Outra atividade a que se dedicaram os descendentes dos americanos foi a dos trabalhos da comissão que elaborou o levantamento geográfico e geológico do Estado de São Paulo no final do século XIX.
            Destacou-se também o Dr. Cícero Jones que veio para o Brasil em 1890. Casou-se com a filha do Dr. Robert Norris, portanto neta do Coronel Willian Norris. O doutor Jones exerceu a medicina em Santa Bárbara até 1908 e depois em Americana empregou métodos avançados de tratamento médico, associando-os a técnicas de psicologia, ensinou a inúmeras parteiras noções de obstetrícia e também a medicina caseira a base de ervas.
            Destacou-se também como industrial tendo sociedade em máquinas de beneficiar algodão e arroz em Santa Bárbara e de beneficiar algodão e café em Americana. Foi o Dr. Cícero Jones também atuante na política municipal tendo trabalhado arduamente ao lado do Dr.Antonio Álvares Lobo, pela emancipação de Villa Americana.
            Os aspectos mais relevantes para os imigrantes americanos foram sempre a educação e a terra.
            A Educação das crianças era uma das prioridades para as famílias americanas que construíram escolas nas propriedades e contratavam professores vindo dos EUA. Os métodos de ensino desenvolvidos pelos professores americanos se revelaram tão eficientes que foram, posteriormente, adotados pelo ensino oficial brasileiro.
            Os cultos religiosos eram celebrados nas propriedades, por pastores que se deslocavam entre várias delas e os diversos núcleos de imigração americana. Em 1895, foi fundada a primeira Igreja Presbiteriana no povoado da Estação, em terras doadas por Charles Hall.Devido a proibição de se enterrar pessoas de outros credos nos cemitérios das cidades administradas pela Igreja Católica, os imigrantes americanos começaram a enterrar seus mortos próximos a uma sede de fazenda. Este cemitério passou a ser conhecido como “Cemitério do Campo”.
            Até hoje os descendentes das famílias americanas são aí enterrados. É nesse local que se reúnem, periodicamente, os descendentes, para os cultos religiosos e festas ao redor da capela, fundada no século XIX.
            A outra cultura agrícola bastante difundida pelos americanos foi a da melancia. O americano Joe Whitaker para cá trouxera a variedade “Cascavel da Georgia” que passou a ser muito apreciada em Campinas e São Paulo. A comercialização da melancia trazia grande movimento à Estação da Companhia Paulista originalmente conhecida como Estação de Santa Bárbara.

            Foi devido à intensa movimentação dos imigrantes americanos e a seu linguajar característico que o lugar passou a ser conhecido como Vila dos Americanos,Vila Americana. Já em janeiro de 1900 a Cia. Paulista adota a denominação
mas somente em 30 de julho de 1904 a localidade adquire autonomia em relação a Villa de Santa Bárbara.
            Na primeira década do século XX Basílio Bueno Rangel instala em suas terras o Parque Ideal, que passa a ser considerado o primeiro local de lazer de Villa Americana, projetando-a por todo o Estado de São Paulo.



Um comentário:

Unknown disse...

Gostaria de saber se tem alguma loja que vende souvenier, gosto de colecionar alguma coisa das cidades que passo